Jesus E Seus Movimentos Desconhecidos Ao Redor Do Mar Da Galiléia (joão 6:16-23)

16  Ao cair da tarde, os seus discípulos desceram para o mar, 17  entraram num barco, e começaram a atravessar o mar para Cafarnaum.

Parte do problema é que só podemos saber com limitada segurança onde o milagre da alimentação de 5000 pessoas foi realizado. O local mais provável é o  indicado no mapa (cor) mostrando a viagem de Jesus  de Jerusalém para o Mar da Galiléia. Ele, portanto, provavelmente, realizou o milagre de alimentação da grande multidão não muito longe da costa sul do lago (indicado pela seta).

Não é fácil acompanhar os movimentos de Jesus, dos discípulos e das multidões nessa intensa história  cheia de fé, ações, milagres e comportamento inexplicável e ensinamentos. Mas, se caminharmos devagar e com cuidado através do texto,  devemos ser capazes de traçar com alguma clareza quase todos os movimentos descritos aqui. Então, vamos começar. Começamos (vs.16) com o local onde ocorreu a alimentação das 5000 pessoas  (provavelmente o ponto ao sul do mar da Galiléia), quando Jesus escondeu-se na encosta da montanha, os discípulos entraram no barco e começaram a fazer a sua curta viagem para o outro lado do lago – a cidade de Kfar Nahum – literalmente a aldeia de Naum (que conhecemos na forma latinizada como  Cafarnaum, que chegou a nós no Evangelho de João, escrito em grego).

Parece estranho que os discípulos deixaram o local sem esperar por Jesus tempo suficiente para que as multidões saíssem e ele voltasse. É provável que ele deu instruções aos seus discípulos para encontrá-lo em Cafarnaum, seu quartel-general do norte, onde a família de Pedro tinha uma casa grande.  A popularidade de Jesus lá era  enorme. Podemos ver que, mesmo quando ele falou aos fiéis e seguidores na sinagoga da cidade sobre “beber seu sangue e comer de sua carne”, ele não parece ter sido incomodado de forma violenta. A história simplesmente termina com as palavras “Jesus disse estas coisas na sinagoga, ensinando em Cafarnaum” (Jo. 6:59 ).

17 Agora estava escuro, e Jesus ainda não tinha chegado a eles.

Embora esta afirmação seja um pouco estranha, é possível que o acordo de Jesus com os discípulos foi de que ele viria em um barco separado e iria alcançá-los no meio do lago. Vamos descobrir o que se desenrolou e que foi uma grande surpresa para os seus discípulos.

18  O mar tornou-se violento, pois um forte vento soprava.

O lago de Kinneret (Mar da Galiléia) está situado entre  montanhas onde, durante determinadas épocas do ano,  pode ocorrer uma tempestade violenta  que pode virar facilmente  um pequeno barco. Isso ocorre até hoje. De fato, eu, pessoalmente, conheço alguém que já pescou lá (ele não é pescador profissional  mas, no entanto, é bastante experiente) quando ocorreu uma tempestade como a descrita no vs.18. Foram chamados  os serviços  israelenses  de socorro e o  homem foi levado de helicóptero em segurança. (Agora ele verifica cuidadosamente o tempo, antes de ir pescar  lá novamente).

19  Depois de terem remado cerca de três ou quatro milhas, eles viram Jesus andando sobre o mar e aproximando-se do barco, e eles ficaram com medo.

Apenas para dar uma perspectiva, o lago em forma de pera tem cerca de 23 quilômetros (14 milhas) de comprimento de norte a sul, com largura máxima de 13 km (8 milhas) ao norte, cobrindo 166 quilômetros quadrados (64 milhas quadradas), então não é tão grande, mas, no entanto,  é considerável. Somos informados de que o barco com os discípulos tinha percorrido cerca de 3-4 milhas que corresponde a cerca de um quarto de toda a distância. Era noite e as luzes das cidades costeiras ainda estavam brilhando ao longe. Como  mencionado o motivo pelo qual eles deixaram Jesus não está claro, mas ver uma figura em movimento na água foi assustador.

20  Mas ele lhes disse: “Sou eu, não temam.” 21  Então, eles ficaram contentes de levá-lo para o barco, e logo o barco chegou à terra para onde iam.

Jesus não os deixou esperar e rapidamente respondeu com segurança confortadora. Eles ficaram espantados e animados ao ver o seu rabino exercer o seu domínio sobre a força feroz da natureza (água), caminhando sobre ela com facilidade. Mas não havia tempo para pensar, e uma coisa muito curiosa aconteceu. Embora a distância ainda fosse considerável, cerca de 20 quilômetros (10 milhas) para Kfar Nahum (Cafarnaum), o barco chegou em segurança a praia pedregosa. Isto pode soar como um incidente sem relação com nada, mas seriamos culpados do ponto de vista teológico em não saber que a distância e o tempo estão sob o senhorio do próprio Deus e somente dele. Ele vive sozinho fora do tempo e fora de distância, como tal, é eterno e onipresente. Portanto, esta ocorrência curiosa é realmente muito importante, porque mostra que quando o Deus-Homem (Logos de Deus) Jesus está no barco com os discípulos, o barco é capaz de desaparecer de um lugar no mapa e aparecer  em outro. Na postagem anterior, nós discutimos outra curiosidade como esta que faz um leitor atento se maravilhar. Jesus estava em Jerusalém, em João 5, mas no momento em que ele termina sua conversa com hoi Ioudaioi  e no início do capítulo 6, descobrimos que ele já estava em uma das margens do Mar da Galiléia, pronto para embarcar em seu barco e atravessar o mar. João detalha a atividade milagrosa de Jesus, mas ele se concentra na atividade de milagres que não se limita a caracterizá-lo como um homem de Deus, mas como o próprio Deus, embora sendo também um verdadeiro ser humano em todos os sentidos, exceto no pecado.

22  No dia seguinte, a multidão que permaneceu do outro lado do mar, viu que  tinha havido apenas um barco lá, e que Jesus não tinha entrado no barco com seus discípulos, mas que os seus discípulos tinham ido sozinhos.

A multidão se perguntou o que havia acontecido. Os discípulos não poderiam ter deixado Jesus para trás na costa. A multidão observou o lugar onde ele poderia ter embarcado em outro barco cuidadosamente. Jesus era para ser encontrado em algum lugar após a sua fuga para as montanhas quando ele desapareceu depois de uma tentativa de coroação pela multidão equivocada para fazê-lo rei. Os discípulos saíram sem esperar por Jesus. A matemática simplesmente não funcionou. Onde ele estava? Ele é feito de carne e sangue, ele tinha que estar em algum lugar. As multidões raciocinaram que, talvez, tivesse ido para Cafarnaum. Como? Eles não sabiam.

23  Outros barcos de Tiberíades chegaram perto do lugar onde tinham comido o pão depois de o Senhor ter dado graças. 24  Então, quando a multidão viu que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, entraram eles também nos barcos, e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus.

Melhor, somos capazes de ver a cronologia da história. Quando os barcos da vizinha Tiberíades chegaram ao ponto sul do mar (o último lugar que Jesus foi visto – mesmo lugar onde Jesus alimentou as 5000 pessoas), as multidões pensaram: “Jesus deve ter pegado o barco em Tiberíades, onde os seus discípulos devem ter ido também”. Lembre-se, era noite e a multidão não podia ver que os discípulos não foram na direção de Tiberíades, a noroeste, mas simplesmente para o Norte em direção a Cafarnaum. Por isso, no vs. 24, lemos que, quando as multidões descobriram que nem Jesus, nem os discípulos estavam nos barcos que vieram de Tiberíades, alguns deles entraram nos barcos e partiram para Kfar Nahum ao Norte (Cafarnaum) um lugar conhecido de moradia de Jesus. Eles queriam ver Jesus e nada ia detê-los.

© By Eli Lizorkin-Eyzenberg, Ph.D.


 

 

 

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