RevisÃo Sobre O Messias Oculto

Antes de passarmos para a última pergunta da série O Messias Oculto, deixe-nos rever e resumir as ideias que discutimos até agora, para seguir a lógica deste estudo. Na série de artigos que apresentei aqui, primeiro olhamos o Segredo Messiânico do Novo Testamento no contexto de  sua origem Judaica; então seguimos com a ideia do Messias oculto e revelado através de Lucas-Atos; finalmente então, aprendemos as lições profundas encontradas no capítulo de transição do Evangelho de Lucas (Lucas 24), decifrando as chaves importantes.

Nosso primeiro post –Como Se Escondendo Seu Rosto De Nós definiu o segredo Messiânico: o fato de que nos Evangelhos, Yeshua é frequentemente retratado procurando manter sigilo sobre sua própria pessoa e trabalho ao longo de seu ministério público (às vezes até mesmo desencorajando abertamente o uso do título ‘Messias’). O messianismo de Yeshua é algo que o autor e os leitores sabem, mas os participantes originais dos Evangelhos não sabiam. Começamos nosso estudo olhando esta característica intrigante dos Evangelhos no contexto de sua origem  Judaica e buscando no pensamento Judaico da época, uma explicação deste dilema do Novo Testamento.

É por isso que nos dois posts seguintes –O Salvador Transcendental no Céu e O Messias Não Reconhecido– nós mostramos que se referir a vinda do Messias como oculto e revelado pode ser considerado como representativo do Judaísmo do primeiro século (D.C.). Para provar esta afirmação, nós olhamos as provas de diferentes correntes e representativas deste Judaísmo. Nós vimos algo muito intrigante nestes textos: que no livro de Enoque, escrito aproximadamente no século primeiro  A.C., o Messias está oculto no céu, mas em seguida, no início da literatura rabínica de 1D.C, vemos o Messias já oculto e não reconhecido na terra. Entendemos, portanto, que o tema do Messias escondido no céu e em seguida vindo para a terra, fazia parte do Judaísmo intertestamental. É neste ponto que nos mudamos para o Novo Testamento.

Nossos dois posts seguintes se chamaram: O Messias oculto e revelado em Lucas-Atos (1 e 2). Aqui, nas Escrituras do Novo Testamento, vimos um reflexo direto do mesmo tema palidamente refletido em textos anteriores: o Messias vindo do céu a terra (você lembra da canção “Você veio do Céu para a Terra”?) –mas ainda permanecendo oculto até que chegasse a hora marcada–.  Os dois volumes de Lucas fornecem uma oportunidade única para acompanhar o desenvolvimento deste tema do Messias –‘antes’ e ‘depois’– oculto no céu desde o início, vem para a terra, mas continua a ficar oculto até a hora marcada e em seguida, após a hora marcada, ele é revelado. O mesmo autor, enquanto escrevia sobre a vida terrena de Jesus, consistentemente o retrata escondendo sua identidade messiânica, enquanto que em Atos se proclama sua messianidade em voz alta e publicamente. Para explicar esta súbita mudança, precisávamos sugerir duas coisas: primeiro, que algum evento decisivo aconteceu entre estas duas obras, e em segundo lugar, que por alguma razão, após este evento o messianismo de Jesus foi revelado. Todos nós sabemos a resposta óbvia à primeira parte: o evento decisivo que aconteceu entre a parte principal do Evangelho e Atos foi a crucificação e ressurreição de Jesus. Em seguida, nossa pergunta foi: por que? Por que Sua morte e ressurreição marcaram uma fronteira clara, uma linha de demarcação óbvia, entre “antes” e “depois”? Por que Jesus teve que permanecer o Messias oculto durante sua vida terrena, apenas para ser revelado após Sua ressurreição?

A fim de desvendar este mistério precisávamos de chaves. Neste ponto, recorremos à história dos dois discípulos no caminho de Emaús e introduzimos as cinco chaves deste capítulo de transição (Lucas 24) –as chaves decisivas para compreender a história do Messias oculto e revelado–.

Chave número um: Olhos impedidos: Ninguém além de Deus pode impedir ou abrir os olhos espirituais. Foi decisão dele e somente dele, tanto no caso dos discípulos na estrada de Emaús, cujos olhos Ele abriu e que finalmente O reconheceram e naqueles casos onde os olhos de pessoas permaneceram impedidos e eles não O reconheceram.

Chave número dois: Tornar o latente visível:  Até que o revelador faça o seu trabalho, a imagem latente permanece invisível, e é preciso o Espírito de Deus “revelar” as Escrituras; é preciso Deus recontar a história; é preciso Deus tornar a imagem latente visível.

Chave número três: Como se…: O Senhor não pode revelar Seu amor, até que Seu plano seja concluído. Daí, muitas vezes Deus age como se. No entanto, é sempre nossa decisão se confiamos em nossos olhos ou em nossos corações.

Chave número quatro: Abençoando o pão: Yeshua é reconhecido enquanto partia o pão e isto se tornou o sinal de ambos Sua dignidade messiânica e Seu sofrimento. O Messias teve que sofrer a morte e levantar novamente –e só então veio a hora marcada para Sua messianidade ser revelada–.

Chave número cinco: E seus olhos foram abertos: Este é o ponto culminante, não só de toda a história sobre os discípulos, mas também de todo o Evangelho. A simetria impressionante entre a frase: seus olhos foram abertos em Lucas 24, em contraste com seus olhos foram abertos em Gênesis 3, nos ajudou a compreender a mudança fundamental no status do universo quando Yeshua foi reconhecido como o Messias.

Assim, em sua obra de dois volumes, Lucas esclarece para nós uma mudança grande, global, que aconteceu entre o Evangelho e Atos, depois da morte e ressurreição de Yeshua.

A história de Emaús fornece uma excelente transição do primeiro volume para o segundo volume dos escritos  de Lucas –de uma época para outra– do Messias visível, mas escondido (não revelado e não reconhecido), para o Messias revelado (reconhecido), mas invisível. Durante Sua vida terrena, Ele tinha estado oculto, e só depois da Ressurreição Sua messianidade se tornou, não só conhecida para Seus discípulos, mas também proclamada alto e abertamente dos telhados a todos. E isto significa, em primeiro lugar, que embora estivesse visível enquanto Ele andava sobre a terra de Israel, Ele estava oculto de Seus compatriotas porque seus olhos estavam impedidos. Eles foram impedidos somente pelo soberano Deus, porque ninguém mais pode impedir os olhos. Assim, chegamos à nossa última pergunta neste estudo: Por que Yeshua foi escondido de Israel?

About the author

Julia BlumJulia is a teacher and an author of several books on biblical topics. She teaches two biblical courses at the Israel Institute of Biblical Studies, “Discovering the Hebrew Bible” and “Jewish Background of the New Testament”, and writes Hebrew insights for these courses.

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  1. Simone Rodrigues

    Olá Júlia,
    Quando será publicado os itens após a chave nº5?
    Abraço.

  2. Marilia

    Julia boa tarde, estou gostando muito dos estudos, faço o hebraico biblico e quando terminar vou fazer novos cursos. Nao recebi a chave quatro e a cinco. Voce poderia me encaminhar.
    Att,
    Marilia.

  3. José Milton DeQuevedo

    Não devemos acreditar em tudo o que ouvimos, e vemos neste Mundo Corrompido e Religioso.
    D’us é o Único que pode nos dar clareza, e nos dar o verdadeiro sentido de suas Promessas.