Dia Da Independência: Para Um Momento Como Este

Não, não estou confusa, eu sei que a época do Purím deste ano acabou, mas eu ainda gostaria de usar esta linha maravilhosa do livro de Ester para o título do artigo de hoje. Hoje estamos celebrando nosso Dia da Independência, e a história do Estado de Israel é tão cheia de milagres e histórias «para um momento como este» como é a história do povo de Israel. Dentro de alguns momentos, vou compartilhar com vocês uma dessas histórias, mas primeiro é uma grande alegria e privilégio parabenizá-los pelo 73º aniversário de Israel! Muitos dos meus leitores, por anos ou mesmo décadas, tem intercedido fielmente pela terra e pelo povo tem estado junto com Israel e o Deus de Israel, portanto, também é  sua alegria e sua celebração.

O visível e o invisível

Vocês provavelmente sabem que o nosso Dia da Independência começa imediatamente após o nosso Dia do Memorial. Yóm HaZikarón, o Dia do Memorial dos soldados mortos e vítimas do terror, é um dia nacional de luto e, considerando o número desproporcionalmente alto de famílias órfãs, uma conta quase impossível de calcular para um país tão pequeno como o nosso, apenas se pode imaginar como este dia é de cortar o coração. E uma das experiências mais especiais e únicas que alguém pode ter em Israel é essa transição incrivelmente chocante do dia mais difícil e trágico do ano para o dia mais alegre e festivo do ano. Dos túmulos de nossos entes queridos aos fogos de artifício da celebração nacional. É chocante que esses dois dias se sigam, mas se eu lembrar a vocês que em Israel o dia começa ao pôr do sol, essa transição se torna quase surreal. «Houve tarde e  manhã» —Yóm HaZikarón, Dia do Memorial, o dia mais difícil do ano de Israel—: memórias, cerimônias, sirenes, lágrimas e então, mais uma vez: «Houve tarde e  manhã», e com lágrimas ainda persistentes nos olhos, nosso país é mergulhado nas orgulhosas festividades do Dia da Independência.

Vocês se lembram onde na Escritura temos uma transição muito semelhante: da maior dor, tristeza e sofrimento, para a maior alegria e felicidade? Vocês se lembram da história em que Jesus chorou momentos antes de sua própria intervenção milagrosa e do maravilhoso e incrível «final feliz» dessa história? No Evangelho de João, de pé junto ao túmulo de Lázaro, Jesus chora pelo sofrimento e pela morte de uma pessoa que, em muito pouco tempo, Ele ressuscitaria dos mortos. Por que Jesus chorou? Ele não sabia que muito em breve Ele ressuscitaria Lázaro dos mortos, e ele sairia vivo da tumba? Claro, Ele sabia. Então, por que Ele chorou?

Para tornar este paralelo ainda mais válido, eu perguntaria a vocês: quantas vezes Jesus chora nos evangelhos? Em todo o Novo Testamento, Jesus chora apenas duas vezes: uma sobre Jerusalém e outra sobre Lázaro. Assim como em uma revista infantil onde duas fotos são colocadas lado a lado e é preciso encontrar as diferenças, estas duas cenas de suas lágrimas —lágrimas sobre Jerusalém e lágrimas sobre Lázaro— podem ser colocadas diante de nós. O que podemos aprender com estas cenas?

Embora Jesus saiba que em poucos momentos Lázaro será ressuscitado, Ele chora no túmulo por causa da dor que seu amado amigo teve que passar no caminho para sua ressurreição. E Ele chora por causa dessa contradição aparentemente intransponível das duas realidades: a interna e a externa, a invisível e a visível, a de Deus e a do homem. Na realidade espiritual invisível de Deus, Lázaro é escolhido e amado, mas aqui na realidade humana visível, física, ele parecia abandonado e rejeitado pelo Senhor, e agora, ele está morto. Quando Jesus chora por Lázaro, essas duas realidades —a interna e a externa— colidem e se chocam. A realidade exterior extraordinariamente significativa, extremamente válida, imutável, irrefutável, com superfície de pedra (tanto literal como figurativamente) nos tenta a ver a realidade interior do Seu amor por Lázaro e Sua tristeza por ele como contraditória e impotente em comparação com os fatos visíveis: «o túmulo… era este uma gruta, a cuja entrada tinham posto uma pedra».[1] Mas então, junto com Jesus, entramos na parte mais emocionante desta história, onde o invisível começa a brilhar através do visível; onde a realidade de Deus se torna totalmente visível ou inversamente, onde a realidade física visível se transforma ao seu toque e pela primeira vez começa a coincidir com a realidade de Deus: Lázaro sai do túmulo!

No Evangelho de Lucas, Jesus chora por Jerusalém com as mesmas lágrimas de amor e compaixão com que chorou por Lázaro. Ele lamenta o sofrimento sem limites que seu amado povo deve suportar; Ele chora pelo sofrimento de seu povo, pelo tormento de esperar pelo Senhor e seu silêncio durante os pogroms e a Inquisição, o Holocausto e a Intifada. Ele chora pela mesma contradição das duas realidades: na realidade espiritual invisível de Deus, Israel permanece escolhido e amado, mas na realidade humana visível, física, ele muitas vezes pareceria abandonado e rejeitado. Ele chora conosco a cada Dia do Memorial. Nossa dor é a dor dele; nossas lágrimas, suas lágrimas. Mas então chega o Dia da Independência e o invisível começa a brilhar através do visível…

Para um momento como este

Vocês sabem, é claro, que 1948 é o ano do nascimento do estado de Israel. Em 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion leu a Declaração de Independência e apenas alguns minutos depois, o presidente dos Estados Unidos Harry S. Truman reconheceu o novo Estado de Israel. A maioria das pessoas não conhece, entretanto, a incrível história por trás disso: «para um momento como este» milagre que tornou isso possível.

Duvido que muitos de vocês já tenham ouvido falar de Eddie Jacobson, um Judeu de Nova York. Quando Eddie era criança, seus pais se mudaram para Kansas City e lá ele conheceu um menino que se tornou seu amigo íntimo. A amizade deles cresceu quando ambos estiveram no Exército durante a Primeira Guerra Mundial, e eles começaram um negócio juntos depois que a guerra acabou. Quando chegou a recessão, eles tiveram que fechar o negócio, e a parceria terminou. Eddie Jacobson tornou-se vendedor ambulante e acabou abrindo sua própria loja de roupas, enquanto seu amigo, Harry Truman, entrou para a política e acabou se tornando presidente dos Estados Unidos. Ao longo de tudo isto, os dois permaneceram amigos.

No início de 1948, quando os Judeus de todo o mundo buscavam desesperadamente o apoio da América, o Departamento de Estado aconselhou o presidente a não apoiar o estabelecimento do Estado de Israel. Truman estava sob uma pressão tremenda de todos os lados. Em algum momento, ele até disse: «Não quero mais ouvir falar da Palestina». Ele se recusou a se encontrar com Chaim Weizmann, Presidente da Organização Sionista. Foi então que as organizações Judaicas entraram em contato com o amigo de infância do Presidente, Eddie Jacobson.

Em 13 de março de 1948 (por volta da época de Purím, aliás – o mês de Adár havia acabado de começar), Jacobson foi sem avisar (assim como Ester) para ver Truman no Salão Oval, e Truman o recebeu e o ouviu. Assim, o plano de Deus foi posto em ação: cinco dias depois, Truman se encontrou secretamente com Weizmann no Salão Oval e concordou em apoiar o estabelecimento do Estado de Israel. Imediatamente após a declaração do Estado de Israel, Harry Truman assinou a proclamação.

Vinte anos depois, Truman escreveu: «Um dos momentos de maior orgulho da minha vida ocorreu às 18:12h da sexta-feira, 14 de maio de 1948, quando pude anunciar o reconhecimento do novo Estado de Israel pelo governo dos Estados Unidos. Fico particularmente gratificado pelo papel que tive o privilegio de desempenhar no nascimento de Israel como, nas palavras imortais da Declaração Balfour, “um lar nacional para o povo Judeu”».

Encontramos novamente nesta história a mesma mensagem: ao contrário de nós, Deus conhece o fim desde o início! Ele tem um plano oculto e secreto, mesmo «para um momento como este» e cada Dia da Independência de Israel é como um lembrete vívido de que Ele é fiel ao seu povo e que se revela por meio desse plano!

 

[1] João 11:38.

About the author

Julia BlumJulia is a teacher and an author of several books on biblical topics. She teaches two biblical courses at the Israel Institute of Biblical Studies, “Discovering the Hebrew Bible” and “Jewish Background of the New Testament”, and writes Hebrew insights for these courses.

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