Este Dia Na História Judaica

QUÉ É TISHA B’AV?

Meus caros leitores, com todo o meu entusiasmo sobre o Filho do Homem e a importância deste tópico, com todo o meu desejo de lhes mostrar as incríveis semelhanças entre o livro de Enoque e os Evangelhos, eu preciso fazer uma pausa e escrever sobre este dia especial no calendário Judaico que acabamos de observar —Tisha B’Av—.

No Judaísmo, Tisha B’Av (Hebraico: באב תשעה), “o nono dia de Av”, é um dia de jejum anual. É o nono dia (Tisha) do mês de Av —daí o nome—. Tisha B’Av nunca é observado no Shabbat, então se o dia nove de Av cai sábado, como aconteceu neste ano, o jejum é adiado até o dia dez de Av. Portanto, este ano o jejum de Tish’a B’Av começou ao pôr do sol no sábado, 21 de julho de 2018 (Motzey Shabbat) e terminou no dia seguinte, domingo, 22 de julho de 2018, ao anoitecer.

Originalmente, o jejum de Tisha B’Av comemorava a destruição dos Templos em Jerusalém: tanto o Primeiro Templo quanto o Segundo Templo em Jerusalém foram destruídos na mesma data do calendário Hebraico (cerca de 500 anos de diferença). O Primeiro Templo, construído pelo rei Salomão, foi destruído por Nabucodonosor em 586 a.C.  Apesar de lermos em 2 Reis 25: 8 que a destruição do Primeiro Templo começou no dia sete de Av, de acordo com o Talmud, a destruição real do Templo começou no nono dia de Av, e o Templo continuou a queimar ao longo do décimo dia de Av. O Segundo Templo foi destruído pelos Romanos em 70 d.C.

No entanto, com o tempo, Tisha B’Av tornou-se um dia de luto Judaico, não apenas por esses eventos, mas também por calamidades posteriores que ocorreram neste dia (ou em torno deste dia). Aqui estão apenas algumas delas:[1]

– A revolta de Bar Kochba contra os Romanos foi reprimida e terminou em derrota em 4 de agosto de 135 d.C. Na mesma data, mas, um ano depois, os Romanos araram o local do Templo em Jerusalém e arredores.

– A primeira cruzada começou oficialmente em 15 de agosto de 1096 (24 de Av, 4856), matando 10.000 Judeus em seu primeiro mês e destruindo comunidades Judaicas na França e na Renânia.

– Os Judeus foram expulsos da Inglaterra em 18 de julho de 1290 (9 de Av, 5050).

– Os Judeus foram expulsos da França em 22 de julho de 1306 (10 de Av, 5066).

– Os Judeus foram expulsos da Espanha em 31 de julho de 1492 (7 de Av, 5252).

– A Alemanha entrou na Primeira Guerra Mundial em 1 – 2 de agosto de 1914 (9 – 10 de Av, 5674), o que causou uma grande agitação na comunidade Judaica Europeia e cujo resultado conduziu ao Holocausto.

– Em 2 de agosto de 1941 (9 de Av, 5701), o comandante da SS Heinrich Himmler recebeu formalmente a aprovação do Partido Nazista para  “A Solução Final”. Como resultado, começou o Holocausto, durante o qual pereceu quase um terço da população Judaica do mundo.

– Em 23 de julho de 1942 (9 de Av, 5702), começou a deportação em massa de Judeus do Gueto de Varsóvia, a caminho de Treblinka.

– O bombardeio do centro comunitário Judaico em Buenos Aires, matou 85 e ferindo 300 em 18 de julho de 1994 (10 de Av, 5754).

– A retirada de Israel de Gaza começou na faixa de Gaza, expulsando 8000 Judeus que viviam em Gush Katif; 15 de agosto de 2005; 10 de av, 5765.

Gostaria de acrescentar algumas palavras pessoais sobre a última tragédia desta lista. Lembro claramente do meu sentimento de descrença quando soube, pela primeira vez, que a desocupação foi marcada para aquela data. Pensei: “Como qualquer líder Judeu poderia planejar alguma coisa para essa data? Ele não conhece a história? ”Mas a mão de Deus orquestra a história —e a história Judaica em particular—e mesmo que nem todos em Israel a vissem como uma calamidade, “associando” este evento a esta data, Deus definitivamente pronunciou Seu juízo mesmo assim. Estou escrevendo estas linhas depois do fim de semana em que quase 200 foguetes Palestinianos foram lançados da Faixa de Gaza para o nosso Sul —escrevendo e imaginando—: Por que nossa liderança não deu atenção ao aviso de Deus em 2005?

O PERIGO DE DIFAMAR A TERRA

Em Números 13-14, lemos sobre os Doze Espias enviados por Moisés para sondar a terra de Canaã. Quando retornaram de sua missão, apenas dois deles, Josué e Calebe, trouxeram um relatório positivo, enquanto os outros desencorajaram o povo. Por causa de seu relato desanimador, o povo de Israel chorou e entrou em pânico e recusou-se a entrar na Terra. Deus estava zangado com o povo; e mesmo que ele os tenha perdoado após a intercessão de Moisés, Ele os castigou apesar de tudo: Então o SENHOR disse: Eu perdoei, segundo  a tua palavra; mas realmente tão certo  como eu vivo… todos estes homens que viram a minha glória e os sinais que fiz no Egito e no deserto… e não deram ouvidos à Minha voz, certamente não verão a terra”.[2]

Isso é o que encontramos na Torá. No entanto, a tradição Judaica adiciona alguns detalhes. Quando lemos: “Levantou-se, pois, toda a congregação, e gritou em voz alta, e o povo chorou aquela noite”,[3] o Talmud aperfeiçoa: “Aquela noite foi a noite do dia nove de Av. O Santo, Bendito seja Ele, disse-lhes: vocês choraram desnecessariamente naquela noite e  vou, portanto, estabelecer para vocês uma verdadeira tragédia sobre a qual haverá choro nas gerações futuras”.[4]

É um lembrete muito sério para todos nós, não é? (e não apenas para aqueles que vivem em Israel). Vocês não ouviram as pessoas dizerem: Eu sou uma boa pessoa, não mato, não roubo, não cometo adultério. Pensem nisso: de acordo com a tradição Judaica, os espias eram os melhores do povo —eles certamente não matavam, não roubavam e não cometiam adultério, e ainda assim, o pecado deles foi uma coisa tão terrível aos olhos de Deus—.

O JEJUM DO QUINTO MÊS

Como vocês entendem agora, Tisha B’Av, o nono dia do mês de Av, é o dia mais triste do calendário Judaico. E, no entanto, há uma alegre expectativa ligada até mesmo a este triste dia. Vocês se lembram que algumas semanas atrás eu mencionei algo que poderia ser designado como “um porco kosher” —uma profunda crença Judaica de que quando o Messias vier, tudo será consertado e todas as coisas ruins serão revertidas—. Esta é uma tradição rabínica, mas é claro que está  baseada nas Escrituras. Vejam este versículo de Zacarias:

“Assim diz o Senhor dos exércitos:

O jejum do quarto mês,
o jejum do quinto,
o jejum do sétimo,
e o jejum do décimo,
será regozijo, alegria, e  festividades solenes,
para a casa de Judá”. 
[5]

Zacarias fala do jejum de Tisha B’Av (“o jejum do quinto mês”) finalmente  sendo transformado em um dia de alegria com a vinda do Messias. Não estamos todos antecipando essa alegria?

 

[1] Vocês podem encontrar as listas das tragédias que ocorreram com os Judeus em Tisha B’Av, em muitos sites diferentes. Esta lista em particular é retirada de https://en.wikipedia.org/wiki/Tisha_B%27Av

[2] Números 14:20-23

[3] Números 14:1

[4] Taanit, 29a

[5] Zacarias 8:19

About the author

Julia BlumJulia is a teacher and an author of several books on biblical topics. She teaches two biblical courses at the Israel Institute of Biblical Studies, “Discovering the Hebrew Bible” and “Jewish Background of the New Testament”, and writes Hebrew insights for these courses.

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