Início De 2018 Desde Jerusalém

O relógio profético

Talvez alguns dos meus leitores se lembrem da minha publicação do Ano Novo anterior: INÍCIO DE 2017 DESDE JERUSALÉM. Eu escrevi sobre a “profecia” do Rabino Judah Ben Samuel (o nome Hebraico é Yehudah Hachassid –Judah the Pious–) e inúmeros sites de língua Inglesa que “profetizaram” a vinda do Messias em 2017. Mostrei que não tínhamos nenhuma prova de que havia tal profecia, e, portanto, temos todas as razões para sermos cautelosos sobre essas especulações. Eu então escrevi: “Tendo dito isto, tenho que admitir que entendo perfeitamente esses sentimentos sobre 2017, e também tenho tendência a vê-lo como um ano de significado profético. Todos sabemos que o relógio profético de Deus está ligado a Israel e Jerusalém. O primeiro ato oficial por uma nação Gentia que deu aos Judeus o direito legal sobre a Terra Santa, foi a Declaração de Balfour, e isso aconteceu em 1917. Então, 50 anos depois, em 1967, após a Guerra dos Seis Dias, Jerusalém foi reconquistada, reunificada e declarada como a eterna e indivisível capital do Estado de Israel. Após 50 anos a partir de 1967, no inicio do ano de 2017 –e iniciando-o de Jerusalém– eu não posso deixar de antecipar a importância deste ano para o meu país e minha cidade, para Israel e para Jerusalém, –e para o mundo todo–”.

Quanto mais perto chegava o Ano Novo, mais preocupada eu estava ficando, enquanto pensava no meu post de Ano novo e no fato de que, apesar das minhas previsões, em 2017 não havia acontecido nada de significativo em Israel ou em Jerusalém. Porém, há o tempo de Deus e não se pode ignorar isso. De repente –ou parecia de repente– em 6 de dezembro, ouvimos a declaração de Trump sobre o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel! Eu sei que há opiniões controversas sobre isso, e eu não vou entrar em debates políticos aquí –e confiem em mim–, é muito controverso aqui também, porque é Israel, em primeiro lugar, quem paga o preço da ousadia de Trump mas, quando esperava ouvir a declaração de Trump, o comentarista de notícias da FOX disse: “Estamos esperando que o Presidente Trump venha e mude a história”. Provavelmente foi nesse momento que percebi que essa “mudança de história” está acontecendo em 2017! Eu acredito que isso lança luz adicional sobre a atitude do presidente Trump: parece ser um evento profético, especialmente porque aconteceu em uma correspondência completa com o relógio profético de Deus: 1917-1967-2017[1].  O ponteiro do relógio avançou mais uma ve.

 

Deus o tornou em Bem

Isso significa que, à medida que nos aproximamos do Ano Novo, temos mais razões para ouvir o que Deus está nos dizendo? Acredito que as porções semanais da Torá são ordenadas divinamente, e que Deus fala com Seu povo –e com cada um de nós pessoalmente– através dessas porções da Escritura –Parashot Shavua–. A transição de um ano para o outro torna-se ainda mais significativa quando percebemos que a porção da Torá para 30 de dezembro –o último Shabbat de 2017– é Vayechi, a última parte do livro de Gênesis. Vocês podem imaginar? Entraremos neste Ano Novo depois de ter terminado o livro do Gênesis: abrindo verdadeiramente, não apenas uma nova página, mas abrindo um novo livro em nossas vidas.

Há muitas coisas que podemos dizer sobre Vayechi (como sobre todas as partes da Torá). Por exemplo, as bênçãos profundas e proféticas de Jacó para seus filhos estão nesta porção e, claro, muito pode ser dito sobre essas bênçãos. No entanto, queria apontar algo que foi de particular encorajamento para mim –e espero que seja um encorajamento para vocês também–. No final do livro –como um selo sobre a história de José, no livro do Gênesis, e também em nossas vidas– José diz aos seus irmãos: “Deus o tornou em bem“. Não são essas palavras incríveis para um Ano Novo? Tanto na Bíblia quanto em nossas vidas, Deus sempre executa Seu plano através das pessoas: não só através das forças e fé das pessoas, mas também através de suas fraquezas e erros. É um sentimento maravilhoso: quando se pode olhar para trás o ano que está prestes a terminar, ver todos os erros e maldades que cada um de nós experimentou este ano, e confiar que o Senhor pode realizar o Seu bem, mesmo com os nossos erros: Deus o tornou em bem.

Como a Efraim e a Manassés

Há uma cena muito interessante nesta Porção que explica um dos dilemas dos costumes Judaicos. Durante todas as celebrações do Shabbat na noite de Sexta-feira, os pais Judeus abençoam seus filhos com a benção sacerdotal.[2] A linha introdutória desta benção depende se a criança é um menino ou uma menina.

Para as meninas, a linha introdutória é:

Que Deus faça com você como fez com Sara, Rebeca, Raquel e Lia.

Para meninos, a linha introdutória é:

Que Deus faça com você como fez com Efraim e com Manassés.

Por que os pais Judeus abençoam seus filhos pelos nomes dos filhos de José? Por que os filhos de José são escolhidos para essa benção em vez dos patriarcas, Abraão, Isaque e Jacó?

Sabemos que José teve dois filhos no Egito. Em primeiro lugar, vamos tentar entender o significado Hebraico original de seus nomes. José chamou o nome do primogênito Manassés.  O nome de Menashe (Manassés) é derivado da raiz Hebraica נָשָׁה : “fazer esquecer”. José queria esquecer todo o sofrimento e aflição que ele atravessou. É por isso que ele chamou seu filho Manassés. O segundo foi chamado Efraim. O nome de Efraim é derivado da raiz  פָּרָה  – “tornar frutífero”. Evidentemente, José conseguiu esquecer seu sofrimento e avançar: tornar-se frutífero e produtivo na terra estrangeira.

Antes de sua morte, Jacó escolhe seus dois netos para as bençãos através dos tempos: abençoou-os naquele dia, dizendo: Os Israelitas usarão os nomes de vocês para dar a benção. Eles vão dizer assim: “Que Deus faça com você como fez com Efraim e com Manassés”.’[3] Os Rabinos Judeus veem uma mensagem poderosa nesta bênção. Quando dizemos aos nossos filhos: “Que Deus faça com você como fez com Efraim e com Manassés”, desejamos que estejam sempre espiritualmente ligados ao seu povo e ao seu Deus, independentemente de onde eles vivam e cresçam. Além disso, Efraim e Manassés são os primeiros irmãos da Torá, cuja relação não é marcada pelo ciúme e pela rivalidade –um poderoso testemunho da paz no coração de José e na casa de José–. Eu acredito que esta é a mensagem de Deus para este Ano Novo: Ele quer que possamos ter paz em nossos corações e paz em nossas casas, e estar sempre em sintonia com o Deus de Israel, não importando quanto possa ser poderoso ou tentador o ambiente “Egípcio” que nos cerca.

 

[1] Foi também em 8 de dezembro de 1947 que a ONU pediu o estabelecimento de um Estado Judeu na terra de Israel, quase exatamente 70 anos antes da declaração de Trump, 70 sendo outro número bíblico significativo.

[2] Números 6:24-26

[3] Gênesis 48:20

About the author

Julia BlumJulia is a teacher and an author of several books on biblical topics. She teaches two biblical courses at the Israel Institute of Biblical Studies, “Discovering the Hebrew Bible” and “Jewish Background of the New Testament”, and writes Hebrew insights for these courses.

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