Comienzos (9): Génesis 2

Meus queridos leitores, pensei que estávamos prontos para avançar para o terceiro capítulo de Gênesis —mas percebi que ainda existem muitas nuances surpreendentes do Capítulo 2 que ainda não discutimos—. Portanto, continuaremos hoje neste capítulo maravilhoso (esperamos passar para o Capítulo 3 na próxima semana). Mais uma vez, as histórias da criação nos mostram muitas coisas profundas sobre o desígnio de Deus e Sua intenção para nossas vidas; apenas olhando atentamente as palavras Hebraicas que descrevem a criação do homem e da mulher, podemos ser enormemente enriquecidos —e, portanto, não queremos perder essas riquezas—. Esses primeiros capítulos são realmente sem fundo e, é claro, não poderemos discutir tudo aqui, mas há alguns detalhes fascinantes que tenho para compartilhar com vocês.

Entre a Escritura e a etimologia 

As primeiras palavras de Adám, pronunciadas logo após sua esposa ter sido criada, não só dão a ela um nome, mas também explicam a conexão entre seus nomes: «Esta será chamada Mulher (ishá) porque do Homem (ish) ela foi tirada»Essas palavras em Hebraico —ish e ishá— parecem tão relacionadas, como se a própria palavra ishá indicasse suas origens no interior do ish —como se ambas viessem da mesma raiz—. E durante séculos, os comentaristas Judeus não duvidaram dessa conexão: parecia tão óbvia e tão convincente. Maimonides, em seu Guia para os Perplexos, escreve: «A união dos dois é comprovada pelo fato de que ambos têm o mesmo nome, pois ela é chamada de ishá (mulher), porque ela foi tirada do ish (homem)».[1] Segundo Rashi, é precisamente a partir deste versículo —dessa clara conexão entre o ish e o ishá— que aprendemos que o mundo foi criado em Hebraico.

Hoje, no entanto, a opinião dos estudiosos é totalmente diferente. Quase todos os linguistas modernos dizem que as palavras «homem», אִישׁ (ish) e «mulher», אִשָּׁה (ishá) não são, de fato, etimologicamente relacionadas. Ish vem da raiz אוש, conotando «força», enquanto a palavra ishá vem da raiz אנש, significa «fraco»ou «frágil». Embora achemos isso difícil de acreditar, pois elas soam  quase idênticas, a etimologia moderna afirma ser uma conexão de raiz falsa.

Conexão de raiz falsa? E, no entanto, nas Escrituras, Adám nunca é chamado de ish até que ishá tenha sido separada dele: já sabemos que a palavra adám é um termo neutro que significa «humano» —e no texto Hebraico original, todas as referências a adám são de fato neutras até que Deus faça uma mulher separada de um homem—. Somente nesse ponto Adám é chamado ish, «um homem» —como se um homem e uma mulher não pudessem ser definidos sem o outro—. Este é um excelente exemplo do que pode acontecer em Hebraico, onde os significados das palavras podem ou não se sobrepor à etimologia. Embora geralmente devêssemos ter cuidado com as similaridades «óbvias» no Hebraico, às vezes as conexões de raiz etimologicamente falsas podem realmente expressar a lógica bíblica essencial.

Adám e adamá

Outra conexão incrível que encontramos neste capítulo é a conexão entre Adám e adamá —o chão, a terra, o solo—. Comentamos anteriormente sobre isso quando falamos sobre o nome de Adám embora essa conexão se perca completamente na tradução, em Hebraico ela somente se destaca, ouvimos claramente a palabra adamá na palabra adám. Vocês devem se lembrar de diferentes explicações que compartilhei com vocês na época —e em particular um belo comentário midrashic—: o homem (Adám) e a terra ou o solo (adamá) compartilham o nome porque ambos foram criados em um status básico que requer cultivo para atingir seu maior potencial —produzir frutos—. Essa explicação faz ainda mais sentido no segundo relato: enquanto no primeiro relato a conexão entre essas duas palavras é simplesmente fonética, o segundo capítulo torna essa conexão semântica. Vamos seguir o segundo relato, e veremos que aqui, de fato, ele se torna absolutamente visível, quase tangível.

O jardim do Éden é plantado em Gênesis 2:8; aqui, neste relato, é apenas mais tarde que ouvimos sobre a criação de plantas e animais. Existem apenas duas criações que este capítulo descreve antes de o jardim ser mencionado pela primeira vez: adamá e adám.  Aqui vemos claramente que, como a terra precisa do homem para cuidar dela —não havia plantas crescendo na terra porque «não havia homem (adám) para cultivar a terra (adamá)»—[2] assim um homem precisa de Deus para se tornar uma alma vivente: «E o Senhor Deus formou o homem (adám) do pó da terra (adamá) e soprou em suas narinas o fôlego de vida; e o homem se tornou uma alma vivente».[3]

E assim, se já tivemos alguma dúvida sobre essa conexão, não a temos mais: os dois versículos —Gênesis 2:5 e Gênesis 2:7— colocam as duas palavras na mesma frase. No Capítulo 3, essa conexão será ainda mais evidente —mas discutiremos isso em um futuro artigo—.

Trabalhar significa adorar

Há mais um detalhe fascinante neste capítulo: nos contaram que Adám foi colocado no jardim do Éden para «trabalhar» עֲבֹדָה (avodá) e «guardar» שָׁמְרָה (shomrá). A palavra avodá aqui é muito interessante. Embora existam várias palavras diferentes em Hebraico que comunicam a ideia de adoração, avodá é um dos termos mais importantes usados ​​no Hebraico bíblico (e até hoje) para o serviço e adoração a Deus —e aqui denota cultivar o solo—. Por mais difícil que seja imaginar hoje, parece que para Adám, trabalhar e adorar a Deus significava a mesma coisa. Mais uma vez, isso é completamente perdido em qualquer tradução: trabalhar e adorar são palavras completamente diferentes em Português —e em qualquer outro idioma, suponho—. Mas, originalmente, não era assim —e vocês podem imaginar o quão profundo era esse plano original de Deus?— Claro, não é apenas a palavra que difere da nossa percepção hoje —foi uma existência completamente diferente, uma dimensão completamente diferente da nossa união com Deus—. Nosso amor por Ele, nossa conexão com Ele, nossa permanência nEle, todos são feitos para ser —e de fato foram antigamente— tão fortes, que à medida que vivemos nossa vida e fazemos o que somos projetados para fazer, adoramos a Deus simplesmente fazendo isso.

 

[1] Maimonides,  Guide for the Perplexed, book 2 section 24.

[2] Gênesis 2:5.

[3] Gênesis 2:7.

 

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About the author

Julia BlumJulia is a teacher and an author of several books on biblical topics. She teaches two biblical courses at the Israel Institute of Biblical Studies, “Discovering the Hebrew Bible” and “Jewish Background of the New Testament”, and writes Hebrew insights for these courses.

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